Saturday, May 28, 2016

Universidade XXI

O melhor curso é aquele que dará ao jovem o emprego com que, um dia, possa pagar as férias sem pedir dinheiro aos pais. Parece a escolha sensata. É, de facto, a pior escolha possível. Não só porque o mercado pode mudar em três ou quatro anos, mas porque seleccionar um curso para que não temos vocação, só porque nos últimos tempos os seus diplomados encontraram empregos, aumentará a probabilidade de não sermos muito bons numa área a que muita gente vai concorrer. Desse ponto de vista, a escolha não deveria depender do que “está a dar”, mas da resposta a esta pergunta: onde e como é que eu posso estar entre os melhores? Mas não chega. Há que ter em conta que no sistema actual, a escolha segundo a área que me interessa pode servir apenas para eu acabar numa instituição medíocre, onde por acaso estão as vagas ao alcance da minha média. Ora, nenhuma vocação, por mais forte, resiste a maus professores e a más condições de trabalho. Mas quantos dos candidatos se empenham em descobrir que professores irão ter, se optarem por determinado curso? Escolhemos um curso, às vezes uma instituição de ensino, e depois aguentamos os professores que por acaso lá ensinarem.

Wednesday, May 18, 2016