Tuesday, March 31, 2015

Grande Presidente!

O Presidente da República, Cavaco Silva, vetou a lei da cópia privada. Em causa estava a criação de uma taxa (entre 0,05 cêntimos e 20 euros) a ser paga pelos consumidores sobre equipamentos como tablets, smartphones, pens ou discos externos, que seria depois transferida sem critério para associações que representam alguns autores, como a SPA ou a AGECOP, podendo totalizar segundo estimativas cerca de 15 milhões de euros por ano. Cavaco Silva sublinhou o facto que com a lei seriam onerados todos os equipamentos independentemente do destino que lhes fosse dado pelos consumidores:  reprodução legítima ou reprodução ilegal. A lei proposta pelo governo de Passos Coelho tinha sido aprovada no parlamento pelo PSD e CDS-PP.

A Dona Disto Tudo

A empresa ANA-Aeroportos vai pagar cerca de 4 milhões de euros à Câmara Municipal de Lisboa a partir de Abril de 2015 devido à taxa turística criada pela Câmara Municipal de Lisboa de António Costa, PS. Imagine que mora em Loures; ou em Sintra; ou no Barreiro; ou em Setúbal; ou em Évora. E quer viajar de avião, deslocando-se para isso através Aeroporto de Lisboa, sendo que a ANA irá repercutir naturalmente os custos de funcionamento no seu bilhete. Você nunca mete os pés em Lisboa, mas irá pagar um imposto a Lisboa; os lisboetas nunca pagarão um imposto no seu município, mas você pagará um imposto para o município de Lisboa; os lisboetas não pagarão pela manutenção do espaço público e serviços da sua terra, mas você pagará os dos lisboetas; os turistas que se deslocam para a sua terra irão pagar a Lisboa uma taxa turística em vez de ao seu município.  

A Câmara Municipal de Lisboa e seus cidadãos não construíram o Aeroporto de Lisboa, nem pagam nada pela sua manutenção, mas no entanto irão ser beneficiados por um imposto sobre o mesmo. É uma forma milenar de obter rendimento sem trabalhar, remontando à estrutura de sociedade medieval, em que os servos, portugueses, trabalham para os vassalos, os lisboetas. Não é novidade no entanto, desde das empresas de transporte com défices de milhares de milhões como a Metro e a Carris, até aos grandes investimentos imobiliários como a Expo 98 e CCB, a relação de subjugação a Lisboa tem sido uma constante nos últimos 40 anos e mesmo séculos.

Aos portugueses resta continuar a trabalhar e pagar a riqueza da capital e seus habitantes. Até ao dia. 


Saturday, March 28, 2015

Partido Empresa, Cidadão Consumidor

Num certo momento, os velhos partidos europeus deixaram de tratar os seus eleitores como potenciais militantes, e passaram a tratá-los como uma espécie de consumidores, a quem prestam serviços por meio do Estado Social e da gestão da economia. Previsivelmente, os eleitores começaram a comportar-se como quaisquer consumidores, mudando de fornecedor quando o serviço não lhes parecia satisfatório. Tal como num ambiente comercial, também passou a haver espaço para novas empresas com propostas aparentemente mais atraentes.

Friday, March 27, 2015

O Funil

Sempre pensei na vida como se fosse um funil. As pessoas começam nas bordas do funil, têm imensas possibilidades e depois, à medida que envelhecem, o círculo é cada vez mais pequeno, até que saem pelo cano fora... As possibilidades estão todas lá, ao princípio. Mas a vida é mesmo uma diminuição das possibilidades. As pessoas têm sempre de escolher e quando escolhem, perdem sempre alguma coisa.

Vasco Pulido Valente

Wednesday, March 25, 2015

Fahrenheit 451

More pictures. The mind drinks less and less. Impatience. Highways full of crowds going somewhere, somewhere, somewhere, nowhere.

If you don’t want a man unhappy politically, don’t give him two sides to a question to worry him; give him one. Better yet, give him none.

Cram them full of non-combustible data, chock them so damned full of “facts” they feel stuffed, but absolutely “brilliant” with information. Then they’ll feel they’re thinking, they’ll get a sense of motion without moving.

The folly of mistaking a metaphor for a proof, a torrent of verbiage for a spring of capital truths, and oneself as an oracle, is inborn in us, Mr Valéry once said.


Fahrenheit 451 by Ray Bradbury

Tuesday, March 24, 2015

A Pattern of Racial Targeting

Same race. No racial discrimination. No problem. Roughly once a week over the past eight years, Philadelphia police officers opened fire at a suspect. Almost always, the suspects were black. Often, the officers were, too. The statistics were laid out in a Justice Department report, which does not allege racial discrimination. When federal investigators looked at the race of the officers and the suspects, they found no statistically significant difference in the outcomes: 85 percent of victims and perpetrators in Philadelphia are black. It is the kind of data that has been nearly absent from the debate over police tactics that began with a deadly shooting in Ferguson, where a black and unarmed 18-year-old was fatally shot by a white cop. Commissioner Ramsey reminded people of the violence plaguing the city: "Folks need to quit killing each other. In case you haven’t noticed, I’m black myself." Philadelphia saw more police shootings than New York, a city with five times the number of residents and officers.

Monday, March 23, 2015

Tribalização

Não sei quando as comunidades chegaram às notícias mas constato que elas não param de se reproduzir. Cada vez há mais comunidades. Temos a comunidade africana. A comunidade chinesa. A comunidade cigana… A estas comunidades de base étnica juntam-se comunidades religiosas, como a comunidade islâmica e a hindu ou comunidades definidas a partir do sexo como é o caso da comunidade homossexual. Cada uma destas comunidades subdivide-se em outras comunidades e assim sucessiva e antagonicamente pois uma das características do mundo comunitário é que pode assumir como traço identitário aquilo que aos extra-comunitários é vedado.


Em boa verdade, à excepção dos brancos heterossexuais não islâmicos, todos os restantes estão mais ou menos arrumados em comunidades. Os brancos heterossexuais não islâmicos são frequentemente racistas e intolerantes. Os que não cabem nessa categoria e consequentemente se arrumam numa das várias comunidades também. Mas enquanto que para os primeiros, os brancos heterossexuais não islâmicos, isso é um crime, nos segundos não passa de um traço cultural.



Ser visto como membro de uma comunidade dá aos seus membros uma espécie de estatuto de excepção mediática e politicamente consagrada. As consequências desta comunitarização da sociedade, em certo sentido quase uma tribalização, podem ser bem bastante perversas: não só o multiculturalismo falhou como se transformou num eixo de financiamento e de poder para os líderes das minorias. Estes, longe de promoverem a integração, têm contribuído para o crescimento do gueto e da exclusão porque é aí e daí que lhes advém a influência.

Helena Matos no Observador

Thursday, March 19, 2015

Portugal Caloteiro

O que é a dívida tarifária?

A dívida tarifária é o stock acumulado dos sucessivos défices tarifários que são gerados anualmente, pelo facto de as receitas resultantes das tarifas aplicadas aos consumidores não cobrirem a totalidade dos custos de produzir eletricidade e distribuir a energia aos clientes. Em Portugal ultrapassa em 2015 os 5 mil milhões de euros.

Quem deve a quem?

Os devedores são os consumidores de eletricidade (a quem cabe saldar a dívida ao longo dos próximos anos por via das tarifas de energia) e os credores são as empresas elétricas.

Quando surgiu?

Os défices tarifários foram criados em 2006, quando o Governo do PS de Sócrates decidiu não repercutir nas faturas elétricas a totalidade dos custos desse ano. Recorde-se que no final desse ano a ERSE propôs para 2007 um aumento tarifário de 15,7%, mas o então ministro da Economia, Manuel Pinho, interveio, limitando a subida a 6%.


O povo português também merece uma menção honrosa por não pagar o que consume, deixando a fatura para os portugueses futuros que nada tiveram a ver com esse mesmo consumo.

Tuesday, March 17, 2015

Calm Seducer

Leonilla Bariatinskaia Princess of Sayn Wittgenstein Sayn (1843), Franz Xaver Winterhalter

Brave New World

[government] A really efficient totalitarian state would be one in which the all-powerful executive of political bosses and their army of managers control a population of slaves who do not have to be coerced, because they love their servitude.

[moral] Lenina doesn’t see why she shouldn’t have sex with anyone she likes whenever the occasion offers, as to do so is merely polite behavior and not to do so is selfish.

[society] Reality, however utopian, is something from which people feel the need of taking pretty frequent holidays. "Has any of you been compelled to live through a long time-interval between the consciousness of a desire and its fulfillment?"

[humanity] Pierced by every word that was spoken, the tight balloon of Bernard’s happy self-confidence was leaking from a thousand wounds.


Brave New World by Aldous Huxley

Monday, March 16, 2015

Baixa, o Subúrbio

A Baixa de Lisboa, também chamada Baixa Pombalina, foi edificada por ordem do Marquês de Pombal depois do terramoto de 1755. Durante cerca de 200 anos correspondeu ao centro político, económico e comercial de Lisboa, com os seus conhecidos locais do Terreiro do Paço, o Rossio, o Cais do Sodré e o Chiado. Após os anos 60 do século XX foi-se transformando gradualmente num centro essencialmente turístico e suburbano. 

Numa reportagem de 2015, alguns dos habitantes da Baixa falam das suas deslocações diárias para fora da sua área de residência em direção ao trabalho, dos problemas de limpeza urbana e segurança, assim como a sua expectativa em morar em locais mais atrativos que o seu bairro suburbano:

Joana Nogueira, 28 anos, foi morar para a Baixa lisboeta há três anos e desloca-se para o seu trabalho em Queluz através do IC 19. Partilha com um amigo o arrendamento de um apartamento na Rua de São Nicolau. Também ele, António Matos, tem-se de deslocar para o seu trabalho em Almada, recorrendo à bicicleta e o cacilheiro. Joana e António partilham o enorme descontentamento pelo progressivo degradar da qualidade de vida nesta zona da cidade devido ao estacionamento abusivo, falta de higiene do espaço público e mesmo  tráfico de droga. César Laia que vive na Rua dos Bacalhoeiros e também trabalha fora de Lisboa, aponta outro problema: "a abertura de lojas de fraca qualidade, sempre viradas para captar dinheiro aos turistas". António Matos está tão descontente com este cenário que vê como muito provável a possibilidade de abandonar a zona: "Sair todos os dias de casa e assistir a cenas decepcionantes dá-me vontade de sair…". O presidente da Junta de Freguesia anunciou a tentativa de resolver alguns problemas, nomeadamente criando mais quatro dezenas de lugares de estacionamento para residentes na Rua da Prata.

Friday, March 13, 2015

The Rulers of The World


Tardigrades are 500 million years old and at first glance, very intimidating. They have podgy faces, eight legs, ferocious claws and dagger-like teeth. They are never more than 1.5 mm long and can only be seen with a microscope. They have been discovered up a mountain in the Himalayas, in Japanese hot springs, at the bottom of the ocean or even in Antarctica.
  • In 1964, scientists exposed Tardigrades to lethal doses of X-rays, alpha, gamma and ultraviolet radiation and found that they could survive. In 2007, radiation was one of the biggest threats facing the Tardigrades when they were attached to a satellite and blasted into space. After the satellite had returned to Earth, scientists found that many of them had survived. Some of the females had even laid eggs in space and the newly-hatched young were healthy.
  • Tardigrades can tolerate being frozen to -272.8 °C, just above absolute zero. To put that into perspective, the lowest temperature ever recorded on Earth was a balmy -89.2 °C in central Antarctica. They coped with a profound chill that does not occur naturally and must be created in the lab, at which atoms come to a virtual standstill.
  • In 1842 a French scientist showed that a Tardigrade could survive being heated to temperatures of 125 °C for several minutes; in 1920 a Benedictine friar brought Tardigrades back to life after heating them to 151 °C for 15 minutes.
  • In 1998, a study found that Tardigrades could survive a pressure of 600 MPa. This is beyond anything they might encounter in nature: the deepest part of the sea is in the Mariana Trench, which goes down 10,994 m and the water pressure is around 100 MPa.
And finally, when a Tardigrade dries out, it enters a deep state of suspended animation that closely resembles death and its metabolism slows to 0.01% of the normal rate. It can stay in this state for decades, only reanimating when it comes into contact with water.

Tuesday, March 10, 2015

Metro de Odivelas


Já neste blog foi proposta a expansão da linha azul e verde em direção à Amadora e Oeiras. Agora propõe-se a expansão da linha amarela do metropolitano de Lisboa de Odivelas ao Hospital de Loures.  Atualmente a linha tem cerca de 11 kms e conta com 11 estações, servindo um eixo desde o centro da cidade de Lisboa até ao município de Odivelas, a norte. Pretende-se com esta proposta a criação de 3 novas estações (Odivelas Centro, Ramada e Beatriz Ângelo) que sirvam todo o eixo central de Odivelas, sendo que a estação terminal no hospital Beatriz Ângelo já se encontra no município de Loures.

Seriam beneficiadas cerca de 60 mil pessoas residentes em Odivelas e 20 mil na Ramada  (censos 2011), assim como os potenciais 278 mil utentes do Hospital Beatriz Ângelo. Adicionalmente, ao lado do hospital encontra-se uma importante área comercial.

Monday, March 9, 2015

It's Our Destiny

The European Union needs its own army to face up to external threats as well as restore the bloc's foreign policy standing around the world, said the EU Commission President Jean-Claude Juncker: "A joint EU army would show the world that there would never again be a war between EU countries and would help us to form common foreign and security policies and allow Europe to take on responsibility in the world. Europe could also react more credibly to the threat to peace in a member state or in a neighboring state." German Defence Minister Ursula von der Leyen welcomed Juncker's proposal: "Our future as Europeans will at some point be with a European army."

Friday, March 6, 2015

Sonification

Sonification converts data that would ordinarily be displayed visually or numerically into sound. The ear, often more than the eye, has an exceptional ability to pick out subtle differences in a pattern, which is helpful in discovering phenomena not obvious in a visual display. The ears can detect changes in a sound that occur after just a few milliseconds whereas the eyes limit for detecting a flickering light is about 50 times a second. Sonification is already a tool helping to find hidden astronomical activity or to distinguish cancer cells from normal cells.

Digitally Excluded

Electronic books cannot benefit from the same reduced rate of value-added tax as paper books, the top court of the European Union ruled on 2015: the court argued that a reduced rate can apply only to physical books and that even though e-books can be read on tablets and computers, they should be considered “electronically supplied services,” not goods. According to EU law, reduced VAT rates can apply only to goods, not e-services. The European Commission, meanwhile, has signaled it may change the rules to allow e-books and paper books to be taxed alike.